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A tal da moda

1 mar

Engraçado ver algumas pessoas assistirem à imagens de desfiles de moda e soltarem a boa a velha frase:

– Mas ninguém vai sair na rua vestido desse jeito!

Só Lady GaGa hahaha!

O que ocorre é que moda é arte. Porém, a maioria das pessoas não a enxerga como arte, “arte é pintura, Mona Lisa e aquelas exposição maluca que tem na Oca do Ibira, aquelas fila enorme que fica me atrapalhando quando eu vou dar um rolê de patins, o pessoal esperando pra ver uns troço zuado, não intendo.”

 

Partindo do princípio de que moda é arte, e que muitas vezes a arte não é óbvia, passamos a ver as criações dos estilistas com outros olhos.

Muitas roupas apresentadas nos desfiles podem perfeitamente ser usadas para sair na rua…

Gucci - Semana de moda de Milão, inverno 2012

 

… Outras, porém, refletem conceitos. 

Prada - Semana de moda de Milão, inverno 2012

 

Exemplo: Próxima estação vai bombar o ombro marcado, e aí você vê algumas bizarrices nas passarelas, com modelos vestindo blusas com ombreiras que mais parecem corcovas de camelo… Na verdade isto é um conceito… 

… Mesma coisa que ver a pintura de uma mulher na fase cubista do Picasso…

Retrado de Dora Maar - Picasso, 1937

 

…Ou então uma poesia do movimento concretista, cheia de formas geométricas e jogos de palavras.

Beba Coca Cola - Décio Pignatari, 1957

 

São inspirações que o artista tem e passa para a tela / papel / tecido. E que influenciam as coisas, não necessariamente tornam-se “reais”. Voltando a falar dos ombros marcados, o que você vê nas ruas, tempos depois do “desfile das corcovas”, são mangas tipo princesa, ou ombreiras de tamanho normal.

A arte, em todas as suas formas, lança conceitos, tendências, em tudo. Qualquer bijuteria de 2 reais que você vê numa banca na 25 de Março, qualquer blusinha de loja de departamentos, cores de tinta, móveis, arquitetura de um ponto de ônibus, embalagem de picolé, TUDO, tem uma influência da arte em todas as suas formas: design, moda, literatura, etc. Todos os dias, em todos os lugares, podemos ver o resultado – adaptado ou não – de alguma ideia considerada louca que uma pessoa teve.

E não é difícil, principalmente hoje, com a internet, fazer essas ligações entre o conceitual e o “real”. Por isso, da próxima vez que você assistir à um desfile de moda, preste bem atenção: Dali a algum tempo, pode ter certeza que você vai estar usando algo influenciado por aquela coisa toda louca e esdrúxula que você achou inutilizável.

A cena do filme O Diabo Veste Prada, com a diva Meryl Streep, é a mais perfeita tradução do que estas mal traçadas linhas querem dizer:

A partir de 01:06
Miranda Priestly: Algo engraçado?
Andy Sachs: Não. Não, não. Nada… É que estes dois cintos parecem exatamente iguais para mim. Você sabe, eu ainda estou aprendendo sobre essas coisas e…
Miranda Priestly: Essas… coisas? Ah, ok, entendi. Você acha que isso não tem nada a ver com você. Você vai até o seu guarda-roupa e escolhe esse suéter azul folgado para dizer ao mundo que se leva muito a sério pra se importar com o que veste. O que você não sabe é que esse suéter não é apenas azul, não é turquesa. Não é lápis-lazúli. Na verdade, é cerúleo. E você também não tem a menor noção de que, em 2002, Oscar de la Renta fez uma coleção de vestidos cerúleos. E depois acho que era Yves Saint Laurent, não era, que fez jaquetas militares cerúleas? E o cerúleo logo foi visto nas coleções de oito estilistas diferentes. E acabou nas grandes lojas de departamento e, um tempo depois, em alguma lojinha vagabunda onde você, sem dúvida, o pegou numa oferta de baciada. No entanto, esse azul representa milhões de dólares e incontáveis empregos e é até meio cômico que você ache que você fez uma escolha que a isenta da indústria da moda quando, na verdade, você usa um suéter que foi selecionado para você, pelas pessoas nesta sala, no meio de uma pilha de coisas.

C’est la vie, c’est le monde!

Beijomeliga

 

MDNA

7 fev

Tia Maddie vestiu-se de Kylie Minogue na capa do novo álbum.

 

Adorei.

 

Assim se faz, e sempre se fez, a arte. Sempre haverá uma inspiração, não importa onde nem quando.

 

Arte é isso: Mundos particulares de cada indivíduo misturados com o todo do mundo inteiro.

Cada um vendo da sua maneira o que é comum a todos. E colocando para fora.

 

Tudo um bando de embalão!

Beijomeliga.

 

 

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